Cassineiro
Um local secreto de uma alma em ebulição...
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A mulher e sua Rebimboca da Parafuseta.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Eu tenho orgulho de ser brasileiro???
Esta pergunta sempre esteve latente na minha cabeça. Se fizerem uma pesquisa em nosso país para saber se as pessoas sentem orgulho de ser brasileiro, certamente teria mais de 90% de sim. Mas garanto que se logo após perguntarem por que, provavelmente teríamos as mais diversas respostas, e infelizmente a nossa seleção de futebol estaria como mais citada. Ainda mais com a copa do mundo em andamento, embora tenhamos caído fora esta manha, perante a Holanda, mas creio que não foi tão feio como em 2006, ainda mais depois do Dunga ter dado um para te quieto na rede Globo. A margem deste fato, a 2 semanas atrás fui pego em um ato falho desse “falso” patriotismo, pois tenho Orkut desde 2005, e neste espaço virtual sempre fui um ilustre morador de Fiji, mas do nada mudei, confesso que com muita satisfação, para Brasil, e então a pergunta voltou a me atormentar.
Na mesma semana o nordeste foi castigado por enchentes, uma tragédia, que mostrou o quanto nosso exibido governo, fica inoperante a esses acontecimentos. Mas mesmo no meio de toda essa destruição, os moradores, se empilharam para ver os jogos do Brasil, e na frente da telinha, todos se alienavam ao seu mundo em pedaços, todos ali unidos pela seleção, mas são incapazes de se unirem para exigir providencias. Sendo assim, a infeliz ideia de que o brasileiro é desprovido de motivos para se orgulhar de ter nascido no Brasil se torna real. O brasileiro é refém do futebol, seleção ou clubes, e eu já tinha ensaiado um pensamento sobre essa terrível realidade, que era retratada, anos atrás, por um fictício candidato a presidência da república, que fazia seus discursos em um programa de humor em uma rádio, onde toda e qualquer fala do candidato era: “o Brasil é pentacampeão”, e o público ia ao delírio.
Esse humor negro esconde a triste realidade em que vivemos, e que na qual, nem percebemos que existe, contribuindo ainda mais para que nossos compatriotas futuros sejam vítimas deste fado. Que existe, talvez, pela nossa colonização exploradora, e por uma independência sem luta, juntamente com anos de ludribiações em que o povo sofreu, e sofre ainda, pelos governantes.
É muito triste que um país com mais de 500 anos de existência tenha como glórias do passado, e possibilidades futuras, títulos mundiais de futebol, que na verdade servem apenas para amenizar a vida amarga dos esquecidos e marginalizados. É claro que temos que ter orgulho da nossa seleção nacional, mas estamos muito longe de um patriotismo como os dos Americanos ou Ingleses, nos quais teriam uma lista de coisas de se orgulharem, mesmo tendo episódios negros em suas histórias, embora culturalmente não deixamos a desejar para nenhuma nação, o que nos falta é parar de achar que o exterior é melhor. Mesmo com tudo isso, ainda tenho esperanças pelos rumos do nosso país, acredito que estamos vivendo tempos de mudanças, onde, aparentemente, nossa população parece estar mais consciente do que fora no passado. Basta crer e fazer, e claro, saber votar, pois mesmo com tudo isso, acredito que o grande patrimônio do Brasil é o brasileiro, que sobrevive e vive com essas adversidades e incrivelmente segue adiante.
Renato Canto da Rosa
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Nelson Mandela

MADIBA
Na abertura da copa da África do Sul, minha filha, de apenas 8 anos, me perguntou quem era o tal Madiba que tanto aquele simpático velhinho negro gritava no microfone. Sem pestanejar disse é o Nelson Mandela, e automaticamente recebi um AH??? Quem???. Obviamente subestimei o pré conhecimento de uma criança, que certamente reconheceria um dos Jonas Brothers ou a Hannah Montana. Ao fazer uma prévia e curta digressão de quem era o tal Nelson Mandela, ela ficou espantadíssima que o tal indivíduo ficou preso por quase 30 anos, em uma cela individual sem cama e com direito a trabalho forçado, o que é bem diferente das nossas cadeias, nas quais a única ocupação é o restrito pensamento criminoso. Assim, com a inocência de uma criança que parece não entender como um sujeito pode perdoar as mesmas pessoas que o prenderam, que o privaram de tudo e de todos, mas que obviamente esqueceram-se de privá-lo de si mesmo. Desde esta conversa o fato não saia dos meus pensamentos, é esplendoroso como um indivíduo que teve 27 anos para odiar os brancos, odiar o racismo e que teve a sabedoria de matá-los dentro de si, e entendeu que apenas o perdão traria paz e sentido ao seu resto de vida.
Vendo do filme INVICTUS, dirigido por Clint Eastwood, pude perceber que Nelson Mandela não foi apenas uma metáfora da libertação dos negros, com o fim do Apharteid, na África do Sul, mas na verdade ele representou a libertação de 48 milhões de Sul Africanos com a sua eleição a presidência da república. Madiba tinha negros sedentos por vingança enquanto os brancos estavam com medo, com desconfianças e receio quanto aos caminhos que seu país iria tomar, aquele que outrora apenas os privilegiava e marginalizava os negros, que por sua vez, queria acabar com todos os símbolos ostentados pelos brancos.
Ao tomar posse em Pretória, Mandela se deparou com uma debandada dos brancos no prédio do governo, rapidamente pediu para sua assessora junta-los em uma sala antes que todos sumissem. Sob olhares de um profundo preconceito, por parte de brancos, que achavam que ele só queria ter o prazer de mandá-los embora pessoalmente, e dos negros que pareciam não entender a ocasião, Nelson convidou a todos para fazerem parte de um novo governo, no qual não existia distinção de cores, línguas ou para quem já trabalharam, mas apenas pediu a todos que ninguém tema as mudanças, mas que se alguém sinta em seu coração o fato de não estar preparado para tais transformações, estas pessoas estão desqualificada para trabalhar no novo governo, assim, elas terão de sair imediatamente. Mandela diz a todos que Wat is verby is verby,O passado pertence ao passado, e que agora tem que se olhar para o futuro, e que não só quer a ajuda dos brancos, mas como precisa dela, e pede que todos façam seu melhor, pois essa é a promessa que ele os faz. Os olhares de desaprovação passam a ser de orgulho e satisfação, e é com esse sentimento que Mandela quer unir seus irmãos Africanos, e espera que todos tenham orgulho se seu novo país, e o exemplo tem que partir de dentro do governo, de seus funcionários e de sua própria guarda, que mescla negros, que querem proteger seu símbolo de liberdade, e brancos que querem proteger o presidente como qualquer outro que ali passou.
A beira de uma guerra civil, Mandela vê na copa do mundo de Rúgbi, que será realizada na África do Sul, e que é o esporte dos brancos, uma grande oportunidade de trazer os negros, que tem como esporte o futebol, e que torcem por qualquer time que esteja contra os Springboks, nome de um tipo de Antílope, e que é como a seleção nacional de Rúgbi é conhecida, e embora apenas 1 negro faça parte do time, com suas camisas verdes e golas douradas, são um símbolo ostentado pelos brancos, e que está na mira das mudanças dos negros, que se sentem ofendidos por este símbolo. A rejeição é tanta por parte dos negros, que um garotinho negro que vai a igreja pegar roupas de inverno que foram doadas, e ao ver que tem uma camiseta dos Springboks, que fora elogiada pela senhora branca, que está trabalhando na distribuição dos donativos, não por ser a camiseta do time, mas sim por ser resistente e quente, vê o garoto debandar. Ela sem entender, indaga a moça negra que participa também da distribuição, recebendo como resposta que se ele usar esta camiseta, os outros garotos negros irão bater nele.
Como era de se esperar, depois de resultados negativos dos Springboks, o Conselho Nacional de Esportes, agora formado em sua maioria por negros, coloca em votação o fim do nome Springboks, que é um símbolo da era do Apartheid, e sugerem que qualquer time que esteja representando a África do Sul, sejam chamados de Proteas. Com uma decisão unânime a favor desta mudança, Mandela corre para o local da votação, a fim de modificar, mesmo sabendo que os negros odeiam este símbolo, arriscando sua imagem perante eles, sabe que como líder de seu povo, de brancos e negros, que esta mudança irá provocar os brancos, que são detentores da economia, polícia e exército, e agora não são mais seus inimigos, mas sim seus compatriotas, que já temem pelas mudanças econômicas que podem afetá-los, irão também ver seu time desaparecer, dando assim mais um motivo para o ódio entre brancos e negros. Com um discurso da não pregação de uma vingança, Mandela diz que seus compatriotas negros tem que surpreender os brancos, com compaixão e generosidade, que para construir esta nova nação, tem que usar cada tijolo disponível, mesmo que o tijolo venha embrulhado de verde e dourado, e que tenha negado tudo aos negros no passado. Madiba vence por 12 votos, e restaura o que fora mudado, mantendo assim, o símbolo branco, e é com este que ele irá unir o país, que sangra e que tem sede de seu próprio sangue.
O próximo passo do presidente foi chamar o capitão dos Springboks, François Pienaar, para uma conversa no palácio do governo, para discutir a má fase do time e também falarem sobre as chances da seleção na copa do mundo de rúgbi, que será realizada na África do Sul em menos de 1 ano deste encontro. Já na chegada ao prédio do governo, Peinaar foi acompanhado por um guarda costa branco, que ao ser indagado de como seria o presidente, ele simplesmente diz que ninguém é invisível para ele, totalmente diferente de seu antecessor. Mandela averigua com o capitão sobre como ele aplica sua liderança com seus jogadores, e como ele pode inspirá-los para que sejam melhores do que eles julgam ser, e que para isso, Pienaar poderia usar o trabalho de outra pessoa para isso. Madiba comenta também que quando as coisas ficavam feias na prisão, ele costumava ler um poema, e que mesmo que ele tinha tudo para desistir e ficar deitado, o ajudava a levantar. Mandela explica ao capitão o quanto é importante que o time jogue bem, pois o que eles mais precisam para a construção do novo país é inspiração e superação, de todos o seu povo referente às suas próprias expectativas, e umas ela é o triunfo na Copa do Mundo de rúgbi.
A fim de ajudar nessa inspiração, não só do time mas como também o da população negra, Nelson ordena que os Springboks façam oficinas, para crianças negras, de rúgbi pela periferia da cidade, onde não só seria o primeiro contato de alguns jogadores com a pobreza de alguns, mas como também dos moradores, que nunca tiveram relação com o esse esporte. Este simples gesto de aproximação entre esses compatriotas desconhecidos, mostra aos jogadores a quem eles estão também representando, como igualmente mostra aos negros quem os representa.
Ao saber do quanto importante era a vitoria no primeiro jogo, e que se os Springboks chegassem a final, que seria assistida por 1 bilhão de pessoas, ao redor do mundo, assim, Mandela manda para Pienaar, escrito a próprio punho, o poema que o tanto inspirou, Invictus de William E. Henley.
Invictus
De dentro da noite que me cobre,
Negra como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.
Na cruel garra da situação,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.
Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta-se apenas o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.
Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.
William E. Henley
Com o intuito que o mesmo possa inspirá-lo, assim como o fizera na cadeia todos aqueles anos de reclusão e humilhação. E para a felicidade de todos, os Springboks vencem a primeira partida, na qual não eram considerados favoritos, e ali começa a escalada Sul Africana rumo ao título e a união em volta de um time.
No dia seguinte a vitória, Pienaar leva os seus jogadores para uma corriqueira corrida pela manha, mas dessa vez não era um simples treino, o capitão os levou, junto com suas namoradas, a um passeio de barco até a Robben island, para uma visita a prisão onde ficou Mandela. Pesquisei em jornais e pude constatar que essa parte da história foi muito fiel a realidade do fato, inclusive a reação de François quando ele adentra a cela de Nelson, e vê o onde seu presidente passou 27 anos, em um local minúsculo, no qual ele não consegue abrir os braços, sem cama, e com uma pequena janela. E o mais importante e inspirador é que esse sujeito saiu de lá sem nenhum sentimento de vingança, algo inimaginável para muitos, inclusive a seus compatriotas negros.
Os Springboks seguem até a final e a vencem em um jogo emocionante, com duas prorrogações. Mas a grande vitória de Mandela se deu ao início da partida, quando todos no estádio, como também alguns jogadores e em todos os locais do país que acompanhavam pela televisão, cantam o novo hino da África do Sul. Neste momento, o orgulho de ser Sul Africano é o sentimento comum de todos, e esta é a grande batalha vencida nesta ocasião.
Claro que Mandela não resolveu todos os problemas de seu país, no qual sofre até hoje, e que devido à copa do mundo, é noticiada por algumas emissoras. De 1995 a 2010 são 15 anos, onde os negros se mantiveram no poder e procederam algumas mudanças no país. Neste tempo foi constatado que muitos brancos voltaram a seus países de origem devido aos rumos da nova África. Mas o mais importante de tudo foi ver que em cada jogo dos Bafana Bafana, como o time de futebol Sul Africano é conhecido, e que tem apenas 1 jogador branco, foram visto sempre negros e brancos torcendo para sua seleção, não importando mais de quem, em um passado inglório, este esporte representava. Talvez Clint Eastwood tenha nos passado uma imagem de um Nelson Mandela santificado, o que sabemos que é uma iverdade, mas com certeza a lição de perdoar e seguir a vida para algo melhor fica, e somente assim podemos libertar nossas almas de pensamentos impuros e vingativos. Nelson Mandela não terá igrejas ou beatificações, mas imagino que se existisse um sujeito como ele no mundo árabe, talvez, mas muito talvez, essa guerra religiosa teria um final mais feliz do que está se configurando, pois não haveria mais o ódio dos árabes, assim os ocidentais não teriam mais esta desculpa para invadir, teriam que inventar outras.
Renato Canto da Rosa
veja mais aqui: http://www.youtube.com/watch?v=mkp8lJkrkSA&feature=related